13 de maio de 2021

Metodologias Ativas: um possível caminho

O mundo contemporâneo apresenta complexidade e desafios que exigem a formação de sujeitos e profissionais capazes de compreender e agir nesse contexto de novas e complexas problemáticas. Nesse cenário, o mundo do trabalho demanda dos futuros profissionais o desenvolvimento de conhecimentos, capacidades, atitudes, habilidades, competências e valores inviáveis de serem desenvolvidos por meio de um projeto formativo limitado à exposição e à repetição de informações. Nesse contexto, os cursos de formação para os diversos campos profissionais precisam estar em consonância com as exigências do mundo do trabalho formando profissionais preparados de acordo com os perfis demandados nas respectivas diretrizes curriculares nacionais, em que estão estabelecidas as habilidades e competências para cada profissão. Esses documentos que orientam os cursos de formação de profissionais em nível superior exigem também sólida formação científica e tecnológica que capacitem o futuro profissional para uma atuação profissional articulada com as demandas do mundo do trabalho. A perspectiva metodológica denominada de metodologias ativas será aqui entendida como abordagem compatível com as demandas do mundo atual, com as exigências legais contidas nas Diretrizes Curriculares Nacionais e com possibilidade de superar uma abordagem metodológica restrita ao professor que fala e aluno que escuta. Como nos alerta Moran: “as metodologias precisam acompanhar os objetivos pretendidos. Se queremos que os alunos sejam proativos, precisamos adotar metodologias em que os alunos se envolvam em atividades cada vez mais complexas, em que tenham que tomar decisões e avaliar os resultados, com apoio de materiais relevantes. Se queremos que sejam criativos, eles precisam experimentar inúmeras novas possibilidades de mostrar sua iniciativa. As metodologias ativas são caminhos para avançar mais no conhecimento profundo, nas competências socioemocionais e em novas práticas”. Percebe-se a necessária articulação entre os objetivos pretendidos e a abordagem metodológica a ser adotada. Para que os estudantes desenvolvam a iniciativa, a criatividade e a capacidade de resolver problemas é imprescindível que o professor assuma um papel de mediador. Nessa perspectiva ele cria, planeja e propõe situações que potencializem o desenvolvimento das aprendizagens almejadas, em consonância com as especificidades de sua área de conhecimento. Ou seja, o aluno sai de uma posição de mero ouvinte e memorizador de informações para um envolvimento ativo com o objeto do conhecimento a ser aprendido. O professor exerce um papel fundamental nesse processo, como mediador, o que exige para além do domínio do seu campo de conhecimento, conhecimento pedagógico para definir adequadamente de acordo com as aprendizagens que precisam ser alcançadas as estratégias, atividades e procedimentos metodológicos coerentes com tais objetivos. O papel de mediador envolve conscientizar os estudantes sobre o sentido dos conhecimentos a serem utilizados a cada área de conhecimento, de acordo com suas peculiaridades, apresenta muitas possibilidades de atividades que motivam e desafiam o estudante no seu processo de desenvolvimento e aprendizagem: pesquisas, produções textuais, debates, aulas de campo, leituras, apresentação e discussão de textos e vídeos, jogos, aulas práticas, proposição de problemas para serem solucionados, trabalhos em equipes, pesquisas na internet, criação e elaboração de objetos de aprendizagem, execução de projetos de ação, dentre tantas possibilidades. Esse caminho de possibilidades deve ser construído através do aprimoramento do fazer docente com adesão dos professores aos projetos de educação continuada, uma orientação do MEC a ser seguida em todas as Instituições de Ensino Superior. *Nota: artigo faz parte de um capítulo do trabalho de dissertação do Mestrado em Educação da Professora Isabella Braga, tendo como título: Procedimentos Metodológicos Utilizados num Curso de Graduação para Tecnólogo: limites e possibilidades. Autoria: Professora Ms.Isabella Braga, Coordenadora da Pós Facine em Docência do Ensino Superior.